sábado, 30 de março de 2013

CÉSAR BORGES CONFIRMADO NO MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES

Do blog de João Bosco Rabello

César Borges.
César Borges.

O presidente do PR, senador Alfredo Nascimento (AM), afirmou ontem a dois colegas do Senado que “fez o novo ministro do partido”. Relatou que sera o ex-senador e atual vice-presidente do Banco Brasil, César Borges, o novo ministro dos Transportes. Não há confirmação oficial, ainda, por parte do PR nem do Planalto, mas informalmente até adversários da nomeação de Borges confirmaram.

A comemoração de Nascimento surpreendeu – e irritou – a bancada da Câmara, que quer um dos seus à frente da pasta. Os deputados sabiam que o nome de César Borges tinha a simpatia do Planalto, mesmo sem o respaldo da bancada. O que não sabiam é que o presidente da sigla, Alfredo Nascimento, defenestrado do cargo na “faxina” feita pela presidente Dilma Rousseff, trabalhava para emplacá-lo.

A celebração com senadores repercutiu negativamente entre os deputados, que se sentiram traídos.

A movimentação de Nascimento pró-César Borges irritou, principalmente, o líder da bancada, Anthony Garotinho (RJ), que foi alijado das discussões. Dois nomes de deputados federais haviam sido oferecidos e recusados pelo Planalto: o do ex-líder Luciano Castro (RR) e o de Jaime Martins (MG), ligado ao ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel. Os deputados achavam que Nascimento ainda trabalhava por um deles.

O nome de Borges teria sido selado em uma reunião que não constou da agenda da presidente na semana passada. Participaram da conversa, além de Dilma, Alfredo Nascimento, o senador Antônio Carlos Rodrigues (PR-SP) e o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, que tem participado das articulações em torno da reforma ministerial. A reunião com o PR estava agendada para ontem (26), mas Dilma não quis embarcar para a África do Sul deixando essa pendência.

O PR tem uma bancada de 37 deputados e seis senadores. Uma liderança da bancada federal afirma que a nomeação de César Borges deixará os deputados insatisfeitos da mesma forma, como se continuassem sem ministério. “É um nome que não representa o partido. Se não é para ter um dos nossos, é melhor continuar com o Paulo Sérgio (Passos), que é um técnico e já o conhecemos”, reclamou.

Durante as negociações, uma das justificativas do Planalto para rejeitar os nomes dos deputados foi de que a presidente não queria um “político” no comando da pasta. Mas os rejeitados não engoliram essa explicação.

É fato que César Borges é engenheiro civil formado, e chegou a dar aulas na Universidade Federal da Bahia, o que lhe dá também perfil técnico para o cargo. Está sem mandato, já que chegou em terceiro lugar na disputa ao Senado em 2010.

Entretanto, é um político forjado pelas mãos de Antônio Carlos Magalhães. Com a ajuda do ex-presidente do Senado, elegeu-se governador da Bahia e senador. Borges deixou o PFL (hoje DEM) em 2007, para se tornar o presidente regional do PR.

A condição para que o PR retome o comando do Ministério dos Transportes é de manter a atual estrutura da pasta. Além disso, o Planalto não sente insegurança em reabilitar o partido no ministério, porque já teve parte de suas funções trasnferidas para a Empresa de Planejamento Logístico (EPL), estatal de logística de infraestrutura onde Dilma acomodou Bernardo Figueiredo, um técnico de sua confiança.

Postado no Blog do Gusmão.

RECADASTRAMENTO DE APOSENTADOS DA EDUCAÇÃO TEM INÍCIO NESTA SEGUNDA-FEIRA

O período de recadastramento dos servidores aposentados oriundos da Secretaria da Educação começa nesta segunda-feira (1). Ao todo, 51 mil funcionários são convocados a regularizar os dados cadastrais junto à Previdência Estadual, órgão ligado à Secretaria da Administração do Estado (Saeb). Os aposentados devem comparecer a uma das 42 unidades do Centro de Atendimento Previdenciário (Ceprev), lotadas nos postos SAC e Pontos Cidadão, ou na sede da Previdência Estadual, no bairro de Brotas.

Esta é a terceira etapa do recadastramento anual da Previdência Estadual, que prossegue até o mês de junho. A partir de julho terá início o recadastramento dos inativos da Polícia Militar. Para efetivar o recadastramento, os aposentados devem apresentar como documentos, os originais da carteira de identidade, CPF e comprovante de endereço, como contas de água, luz ou telefone. A lista completa dos convocados está disponível no Portal do Servidor (www.portaldoservidor.ba.gov.br).

Desde o ano passado o recadastramento também é realizado com hora marcada. O agendamento pode ser feito para a sede da Previdência Estadual, no Brotascenter (3116-5437/5440), e também nos Postos SAC do Shopping Paralela, Salvador Shopping, SAC Feira Centro II e Passeio Norte, em Lauro de Freitas (0800 071 5353/4020 5353).

Caso o aposentado esteja acometido de doença grave, impossibilitado de se locomover ou ausente do domicílio, o recadastramento poderá ser realizado por meio de procuração por instrumento público ou mediante formulário de representação disponibilizado pela Previdência Estadual. Já os casos de falecimento deverão ser imediatamente comunicados pelos familiares do ex-servidor, mediante a apresentação da respectiva certidão de óbito em quaisquer das unidades Ceprev.

Fraudes - A ação de recadastramento busca, além de atualizar os dados dos inativos, coibir fraudes e pagamentos irregulares. Desde 2007, o Estado já suspendeu 3.029 benefícios pagos de forma irregular, gerando uma economia de R$ 77,8 milhões aos cofres públicos.
 Postado por O TABULEIRO

GOVERNO E APPI DIVERGEM SOBRE MUDANÇA NO REGIME JURÍDICO DOS SERVIDORES

Enilda Mendonça.
Enilda Mendonça, presidente da APPI.

Na última terça-feira, 26, a Câmara de Vereadores de Ilhéus aprovou a Lei Municipal 3.654 que altera o regime jurídico dos servidores municipais.

Regidos pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), com a nova lei os servidores passarão a seguir um estatuto que será elaborado nos próximos 180 dias pelo governo atual com a participação dos sindicatos.

O Sindicato dos Servidores Públicos de Ilhéus (SINSEPI), representante da maior parte da categoria, apóia a alteração.

A nova lei desagradou o sindicato dos professores devido à forma como foi aprovada.

Durante pronunciamento na câmara, no dia da aprovação da lei, Enilda Mendonça, presidente da APPI, afirmou que o  governo não permitiu discussão ampla. A Câmara de Vereadores também foi questionada por ter promovido a inversão da pauta. A sindicalista deveria expor os questionamentos da categoria antes da votação da lei. Com a medida, a representante só foi ouvida após a aprovação.

Segundo Enilda, com a mudança os servidores terão direito a sacar todo o saldo acumulado do FGTS. Para ter direito à aposentadoria acima do teto máximo do INSS (R$ 4.157,05) deverão pagar um fundo de previdência complementar.

A sindicalista questiona a capacidade do governo de pagar o FGTS. Afirma que a maioria dos trabalhadores possui em conta muitos menos do valor real que deveria ser depositado. Na visão dela, o fundo de previdência complementar é inviável, pois grande parte dos servidores que recebem vencimentos acima do teto do INSS estão próximos da aposentadoria.

O Blog do Gusmão ouviu o secretário de administração Ricardo Machado.

Sobre o FGTS

Ricardo Machado: ex-subprocurador, atual secretário de administração.
Ricardo Machado: secretário de administração.

O secretário informou que em 2006, o governo da época (Valderico Reis) parcelou a dívida com fundo. O parcelamento vem sendo pago por meio de descontos nas cotas do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).  De 2006 até a presente data, o município não fez todos os repasses. Para regularização, será necessário mais um parcelamento. Com os pagamentos, os servidores receberão os valores devidos em suas contas individualizadas. Segundo Ricardo Machado, o saque integral do FGTS após a mudança no regimento jurídico ainda não está definido e depende de discussão jurídica. Com a nova lei aprovada na terça-feira, 26, o município, de agora em diante, se livra da obrigação de fazer os repasses.

Fundo de previdência complementar

O secretário explicou que o regime de previdência continua o mesmo, e que posteriormente será iniciada uma ampla discussão em torno das mudanças. Machado lembrou que o INSS estabelece regras para novos fundos de previdência complementar.

Divergências partidárias da APPI

Ricardo Machado demonstrou surpresa com a postura da APPI. Quando o governo anunciou a mudança, o sindicato demonstrou concordância. O secretário levantou hipótese de motivação político-partidária, uma vez que Enilda Mendonça é cunhada da Professora Carmelita, ex-candidata do PT à prefeitura de Ilhéus, derrotada nas últimas eleições.

Novos direitos

Ricardo Machado elencou apenas um, a concessão de licenças-prêmio. Outros serão discutidos na elaboração do estatuto.

Postado por Blog do Gusmão

MANIFESTO EM DEFESA DO FUNDEB


O FUNDEB como política indutora da universalização das matrículas com qualidade e equidade.
As reformas neoliberais da década de 1990 proporcionaram graves consequências para a formação escolar do povo brasileiro, até hoje não superadas. A desresponsabilização do Estado e a consequente abertura do "mercado da educação" à iniciativa privada se deram por meio da fragmentação das políticas públicas - com prioridade ao ensino fundamental -, deixando os entes púbicos de prover as condições de atendimento com qualidade nas escolas de educação infantil e especial, ensino médio, EJA e ensino técnico-profissional, com agravantes para as populações do campo, indígenas e quilombolas.
Ainda neste período, a sociedade brasileira, que há décadas exigia outro patamar de investimento na educação pública, passou a conviver com propostas de centralização curricular e pedagógica e, ao mesmo tempo, com a descentralização dos investimentos escolares. Essa agenda, por sua vez, estimulou a transferência de matrículas no ensino fundamental (anos iniciais) das redes estaduais para os municípios, sem a devida contraprestação financeira. E isso gerou mais distorções no atendimento da educação infantil, a qual não contava com recursos adicionais da União, tampouco das esferas estaduais. Por outro lado, o Decreto 2.208/97 desautorizou a ampliação da rede federal de ensino técnico-profissional, e os estados não assumiram na proporção devida essa demanda escolar.
Em relação aos trabalhadores da educação básica, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (FUNDEF), um dos pilares da reforma neoliberal, além de ficar restrito a um só segmento da categoria, proporcionou a quebra de isonomia na carreira profissional - com prejuízos para quem atuava fora do ensino fundamental - e condicionou a remuneração média do magistério a aproximadamente dois salários mínimos (em junho de 2001, na metade da vigência do FUNDEF, o salário mínimo no Brasil era de R$ 180,00, equivalente a US$ 75,00; e um/a professor/a com formação de nível médio (e em muitos casos com graduação plena) e com cerca de 15 anos na profissão recebia, em média, sobretudo nas redes municipais, R$ 363,00 ou US$ 150,00 por 20 horas de trabalho semanais).
A eleição de um governo de aliança democrático-popular reacendeu a esperança de um novo marco para as políticas públicas, em especial na educação. A pauta dos movimentos sociais de protagonizar o papel do Estado como indutor do processo de desenvolvimento, com inclusão social, foi colocada em prática não obstante as restrições impostas pelas políticas neoliberais, sob as quais o país permanecia refém para manter a estabilidade democrática em seu território e no continente.
A criação do FUNDEB - Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação, por meio da Emenda Constitucional nº 53, traduz parte da reivindicação histórica da categoria dos trabalhadores em educação, no sentido de viabilizar o financiamento para todas as etapas e modalidades do nível básico e de valorizar os profissionais que atuam nas escolas públicas do país. Corroborando essa visão, o Parecer nº 9/2009, da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, que versa sobre as Diretrizes para os Novos Planos de Carreira e de Remuneração para o Magistério dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, destaca que a EC nº 53/2006 constitui elemento paradigmático para a organização das políticas públicas educacionais por parte da União e dos demais entes federados. Ela marca o início da terceira fase de regulamentação das premissas constitucionais para a educação, à luz de uma nova visão política do Estado brasileiro, que tem pautado: i) a concepção sistêmica da educação, na perspectiva do Sistema Nacional Articulado de Educação; ii) a ampliação do financiamento público ao conjunto da educação básica; e iii) a necessidade de se reconhecer e valorizar todos os profissionais das redes públicas de ensino, como condição sine qua non para a garantia do direito da população à educação pública de qualidade...".
Após muita pressão popular e de intensas negociações envolvendo os entes federados, o movimento sindical na educação, representado pela CNTE, e as entidades da sociedade civil, representadas pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação, a Lei nº 11.494/2007 foi aprovada no Congresso Nacional prevendo, entre outras coisas:
  1. A inclusão de todas as matrículas da educação básica nos Fundos Estaduais, inclusive creches públicas e conveniadas;
  2. O repasse da União em percentual mínimo de 10% sobre o valor agregado dos Fundos Estaduais, a título de complementação aos entes que não atingirem a média per capita de investimento nacional por estudante - hoje, essa quantia alcança o patamar de R$ 10 bilhões frente os R$ 400 milhões do FUNDEF, podendo e devendo ser majorada para atingir a reivindicação social de Custo Aluno Qualidade;
  3. A ampliação representativa dos conselhos de acompanhamento e controle social, impondo limites à atuação dos gestores públicos nesses espaços de fiscalização, embora essa ainda seja uma tarefa que está longe de ser concluída; e
  4. O estabelecimento de piso salarial profissional para o magistério público, vinculado à formação profissional, ao vencimento inicial das carreiras e à jornada de trabalho com no mínimo 1/3 de hora-atividade (trabalho extraclasse). Em comparação com o exemplo acima, atualmente, o vencimento inicial para a carreira do/a professor/a com formação de nível médio, em todo país, que cumpre jornada de trabalho de no máximo 40 horas semanais, não pode ser inferior, segundo cálculos do MEC, a R$ 1.567,00 (US$ 783,00). Ou seja, o que à época do FUNDEF era pago no meio da carreira como remuneração deslocou-se, com ganho real de US$ 180,00, para o patamar inicial dos vencimentos. E mesmo estando longe de significar a valorização pretendida pela categoria, essa política continua despertando intensos questionamentos no Supremo Tribunal Federal, já acumulando dois pedidos de inconstitucionalidade da Lei 11.738. Por outro lado, permanece o desafio de regulamentar o art. 206, VIII da Constituição, que estende o piso salarial nacional para todos os profissionais da educação.
Embora tenhamos consciência das limitações do FUNDEB, que é uma política de caráter transitório, pois o financiamento consistente e perene da educação pública depende de ampla Reforma Tributária que priorize o combate às desigualdades regionais, não podemos abrir mão de uma política pública que, além de promover maior equidade educacional, também resguarda a capacidade de gestão dos entes estaduais e municipais para melhor atender seus compromissos para com a escola pública e a valorização de seus profissionais.
O desafio do Estado brasileiro, nesse momento, consiste em criar condições que assegurem o direito à educação básica pública de qualidade, nos termos da EC nº 59, com equidade, laicidade, valorização profissional, financiamento compatível com o Custo Aluno Qualidade e democracia nas escolas e nos sistemas de ensino. Para tanto, faz-se necessário aprovar, com urgência, o novo Plano Nacional de Educação na perspectiva de institucionalizar o Sistema Nacional de Educação. E sem recursos financeiros provindos de novas fontes de receitas do Estado, especialmente dos royalties do petróleo, dificilmente será possível transpor as atuais barreiras que impedem a melhoria da qualidade da educação no país.
Enquanto esse novo paradigma educacional não se configura, o FUNDEB continuará sendo a referência para o financiamento da escola pública básica, devendo, cada vez mais, cumprir seus objetivos equalizadores das realidades educacionais.
Entretanto, nos últimos anos, especialmente após 2009, em função da crise econômica que continua afetando a economia do país e do mundo, diversas políticas de isenções fiscais lançadas sobretudo pela União vêm acarretando forte diminuição nos impostos que compõem o FUNDEB. Não bastasse isso, as estimativas anuais para o Fundo - de responsabilidade da Secretaria do Tesouro Nacional (STN/Fazenda) - ao destoarem fortemente das receitas efetivas (consolidadas), passaram a comprometer sobremaneira a execução das políticas de investimento e custeio educacionais e, por consequência, a fragilizar o próprio mecanismo de atualização do Piso do Magistério.
O ano de 2012 ilustrou essa situação vivida por estados e municípios, na medida em que a queda dos recursos do FUNDEB, à luz da previsão inicial da STN e sem que o Governo encaminhasse ações que pudessem minimizar a gravidade do problema, atingiu a credibilidade e a própria sustentabilidade do Fundo Contábil.
A Portaria Interministerial nº 1.809/2011, que inicialmente instituiu o custo aluno mínimo para 2012 em R$ 2.096,68, acabou sendo revista somente em 28/12/2012, por meio da Portaria nº 1.495/12, que rebaixou o per capita para R$ 1.867,15. E essa situação beirou o absurdo, pois comprometeu as previsões orçamentárias, principalmente dos entes que recebem a suplementação federal e que só a três dias do fim do ano foram informados de que o recurso previamente prometido não seria mais repassado para cobrir as despesas já executadas.
Outra situação fática e preocupante diz respeito à falta de efetividade do encaminhamento da Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica, ratificada na Resolução MEC nº 7, de 26 de abril de 2012, que previa o repasse dos recursos reservados ao pagamento do piso salarial do magistério, no valor de R$ 1.048.930.436,48, de forma conjunta com os 90% restantes da complementação federal. Isso, porém, não ocorreu e contribuiu para agravar ainda mais a situação nos 9 estados que recebem a complementação federal.
Assim como em 2009, também em 2012, a CNTE cobrou inúmeras vezes a correção das estimativas de custo aluno e a adoção de medidas saneadoras, por parte da União, para compensar as perdas no FUNDEB decorrentes das isenções fiscais que afetaram o Fundo de Participação dos Estados e dos Municípios (FPE e FPM), mas nada foi feito!
Não bastasse esse tipo de inoperância, os órgãos fazendários, em especial a STN, voltou a publicar informações impróprias acerca da arrecadação do FUNDEB, em 2012, por ocasião da Portaria Interministerial nº 1.495. A defasagem é de quase R$ 4 bilhões, e foi usada como artifício para amenizar o percentual de atualização do piso para este ano de 2013.
Para fins de melhor entendimento da situação, passemos aos números:
A Portaria MEC/Fazenda nº 1.809, de 28/12/11, estimou os seguintes valores per capita para o FUNDEB em 2012:
Receita própria de Estados e Municípios: R$ 104,89 bilhões Receita proveniente da complementação da União: R$ 9,44 bilhões*
Total R$ 114,33 bilhões
Em 28/12/2012, a Portaria nº 1.495 revogou a anterior supracita e estimou os seguintes valores para o FUNDEB em 2012:
Receita própria de Estados e Municípios: R$ 94,13 bilhões
Receita proveniente da complementação da União: R$ 8,47 bilhões*
Total: R$ 102,60 bilhões
* Saldo que exclui a parcela destinada à suplementação do piso salarial.
Ao considerarmos as duas portarias interministeriais, verificamos uma redução de R$ 11,7 bilhões entre os valores estimados para o ano de 2012. No entanto, pesquisa feita pela CNTE nas contas dos FUNDEB, estado por estado, mostrou outra realidade de receitas consolidadas até dezembro de 2012. Pelas informações extraídas diretamente do Banco do Brasil, o valor total depositado nas contas do FUNDEB dos estados e municípios, em 2012, acrescida a complementação da União, foi de R$ 106,4 bilhões, portanto, bem superior aos R$ 102,6 anunciados na Portaria de 28/12/12. Esse valor, por consequência, significa um per capita maior que R$ 1.867,15, o qual foi utilizado para reajustar o piso do magistério em 7,97% para 2013.
Hoje, o FUNDEB é responsável por mais de 41 milhões de matrículas na educação básica, sendo 17,9 milhões em redes estaduais e 23,1 milhões nas municipais. O apoio aos municípios, que detêm maior número de matrículas, porém menos receita fiscal, precisa ser garantido, mesmo em tempos de crise econômica, caso contrário essa política de financiamento perderá seu objetivo.
Para além das questões suscitadas neste documento, enfatizamos outras providências que ensejam a urgente atenção dos poderes públicos, quais sejam:
  1. Evitar manobras sobre os fatores de correção das verbas destinadas à educação básica e à valorização de seus profissionais;
  2. Prover a integral compensação de eventuais quedas de receitas decorrentes de isenções fiscais a fim de manter a previsão inicial do custo aluno;
  3. Atualizar trimestralmente o per capita do Fundeb, visando preservar o correto investimento em manutenção e desenvolvimento do ensino no ano de recolhimento dos tributos;
  4. Impedir o acúmulo de repasse da União de um ano para o outro, aos estados e municípios, uma vez que parte significativa dos entes federados não aplica esses recursos remanescentes de acordo com as regras do Fundo, sobretudo em relação aos 60% para pagamento dos profissionais do magistério;
  5. Rever a forma de complementação do Fundeb para contemplar todos os municípios que efetivamente se encontram abaixo do valor per capita nacional;
  6. Promover ajustes de contas nas matrículas municipalizadas;
  7. Condicionar a transferência de recursos voluntários da União, aos estados e municípios, ao cumprimento das legislações educacionais e ao combate à renúncia fiscal nos entes;8) Investir na capacitação dos conselheiros sociais;
  8. Estimular o controle social disponibilizando todas as informações necessárias, em consonância com os objetivos da Lei de Acesso à Informação.
O FUNDEB foi um passo importante para a superação do modelo de financiamento imposto pelas reformas neoliberais, especialmente para combater a lógica da fragmentação que impedia a inclusão de milhares de crianças, jovens e adultos na escola pública. Atualmente, as redes públicas detêm 86% das matrículas na educação básica, e é preciso garantir mais investimentos para melhorar a qualidade do ensino nessas instituições.
Este manifesto tem por objetivo cobrar das autoridades públicas maior responsabilidade com uma política que, embora ainda insuficiente, tem se mostrado importante para combater a exclusão escolar e as diferenças regionais em prol da qualidade na aprendizagem e da valorização dos profissionais da educação.
Brasília, 22 de março de 2013
Conselho Nacional de Entidades da CNTE

Vereadores aprovam lei que obriga informar espera na rede de saúde

TALITA BEDINELLI

DE SÃO PAULO
Projeto de lei aprovado na Câmara de São Paulo obriga a prefeitura a dizer ao usuário do sistema público de saúde o tempo estimado para que ele consiga a consulta, exame ou cirurgia que marcou.

Além disso, a administração municipal terá que informar ao paciente, por meio de página na internet, quantas pessoas aguardam antes dele e o andamento da fila.

O acompanhamento será feito pelo número de inscrição dos usuários no SUS (Sistema Único de Saúde), e não pelo nome deles, para resguardar o sigilo pessoal.

O projeto, de autoria da vereadora Juliana Cardoso (PT), vai à apreciação do prefeito Fernando Haddad (PT), que pode sancioná-lo ou vetá-lo. A previsão é que uma decisão saia até o final de abril. A tendência, segundo a Folha apurou, é que haja sanção.

Segundo a vereadora, o objetivo do projeto é dar publicidade aos dados da fila.
Informações sobre a quantidade de pedidos na espera só começaram a ser divulgadas pela prefeitura neste ano, depois que a Folha obteve por meio da Lei de Acesso à Informação dados referentes à espera de cada procedimento médico, em janeiro.

Os dados, referentes a outubro de 2012, mostravam que 661 mil pedidos aguardavam na fila. A Folha pedia os dados havia sete meses.

Novos dados, referentes a 31 de dezembro de 2012, mostravam que a fila havia aumentado para 800 mil pedidos. Agora, está em 780 mil.

O usuário, entretanto, continua sem saber quanto tempo efetivamente demorará para que ele seja atendido.

A Secretaria Municipal da Saúde afirmou ontem que estuda a implementação de área restrita no site, com acesso por meio de senha e do número do cartão SUS, que reunirá as informações do paciente, histórico de exames e datas das consultas.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Morre o jovem sindicalista Wagner Bastos

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Veio a falecer na madrugada de hoje no Hospital Regional Luiz Viana Filho, o Sindicalista Wagner Bastos. A causa da morte ainda não foi divulgada.

Hoje é um dia triste, perdemos não só um grande amigo, mas também uma voz ativa da política ilheense.
Wagner se sentiu mal em sua casa. Durante 15 dias esteve internado , mas os médicos não conseguiram diagnosticar qual a doença.

Durante sua permanência no Hospital, como um grande líder político jovem que era, estavam causando vários comentários dos meios de comunicação sobre a lamentável situação da unidade hospitalar, ao qual vinha sendo denunciado por ele através das redes sociais.

A notícia pegou todos de surpresa, e por ser muito querido na cidade, deixou todos em estado de choque.

Em Tempo: O Velório vai ser na Rua do Café na funerária  São José, proximo ao cemitério da Vitória
Por Agravo Ilheense

Com Certeza Jamerson perdemos um grande amigo, um ótimo Sindicalista e politico, esse amigo nos deixa saudades por tantas por tantas coisas, até nos embates politico ele fará falta. Parta em paz meu amigo, que o senhor Deus esteja com voce nessa nova forma de vida. Amém. 
Roberto Corsário

quinta-feira, 28 de março de 2013

RJ acompanha tramitação do projeto de lei sobre o Dia Municipal de Mobilização Social pela Educação

Câmara Municipal do Rio. Foto: Ascom CMRJ
Representantes do Comitê de Mobilização Social pela Educação do Rio de Janeiro (Comitê Rio) acompanharam, na terça-feira, 26 de março, a tramitação na Câmara de Vereadores do Projeto de Lei nº 754/2010 que deve instituir o Dia Municipal de Mobilização Social pela Educação na capital fluminense. Aprovado em primeira votação, o projeto de iniciativa do vereador Reimont (PT) prevê a comemoração pertinente ao tema no dia 19 de setembro de cada ano. A data deve ser incluída no Calendário de Eventos do município.

O primeiro trimestre de 2013 tem tido intenso calendário de atividades de incentivo à interação família-escola-comunidade na região meSocial pela Educação (PMSE) aos profissionais da unidade, incluindo os representantes do Conselho Escolar Comunitário (CEC), professora Flávia Borborema Pinho da Mota e o inspetor Kléber Melo da Silva. A apresentação sobre o PMSE contou com a participação do gestor do Projeto Bairro Educador Maré, Leonardo de Oliveira Ferreiratropolitana capital fluminense. Coordenadas por integrantes do Comitê Rio, as ações de estímulo à colaboração da sociedade com a melhoria da qualidade da educação pública e à participação das famílias na rotina de estudos dos filhos têm envolvido profissionais da educação, gestores e lideranças de instituições religiosas.

PMSE na Região Metropolitana


Apresentação do Comitê Rio sobre o PMSE
na Escola Municipal Josué de Castro
Ainda nesta terça-feira (26), os representantes do Comitê Rio, David Francisco Arcênio e Sérgio Benedito Maia, estiveram na Escola Municipal Josué de Castro, localizada no Complexo da Maré, para definir com a diretora da unidade de ensino, Christiane Lagarto Fontoura, a data da próxima reunião de pais. O encontro foi agendado para o dia 06 de abril e terá como destaque na pauta a Importância da Interação Família-escola.
Uma primeira visita do Comitê Rio à escola foi realizada no dia 19 de março, quando os mobilizadores apresentaram o Plano de Mobilização Social pela Educação (PMSE) aos profissionais da unidade, incluindo os representantes do Conselho Escolar Comunitário (CEC), professora Flávia Borborema Pinho da Mota e o inspetor Kléber Melo da Silva. A apresentação sobre o PMSE contou com a participação do gestor do Projeto Bairro Educador Maré, Leonardo de Oliveira Ferreira.

Divulgação do PMSE a representantes do Projeto Bairro
Educador e à comunidade da Escola Municipal Teotônio Vilela.
O PMSE também foi divulgado por membros do Comitê Rio, no dia 28 de fevereiro, aos representantes do Projeto Bairro Educador e à comunidade da Escola Municipal Teotônio Vilela, localizada no bairro Manguinhos. Divulgação semelhante foi feita na Escola Municipal Professor Afonso Várzea, no Complexo do Alemão, no dia 30 de janeiro.
Nos dias 08 e 09 de abril, o integrante do Comitê Rio, Davi Francisco Arcênio, vai participar da Oficina de Formação de Mobilizadores Sociais pela Educação que será realizada na Primeira Igreja Batista em Alcântara, bairro de São Gonçalo (RJ). As exposições da atividade serão conduzidas pelo representante da equipe do Plano de Mobilização Social pela Educação do Ministério da Educação (PMSE/MEC), Paulo Ronaldo dos Santos.

Secretária pede apuração sobre denúncia na Santa Casa de Misericórdia de Ilhéus



Secretária de Saúde - Ledívia Espinheira - Foto Alfredo Filho - Secom
A secretária de Saúde do município de Ilhéus, Ledívia Espinheira, considerou inaceitável a prática de cobrança por consultas do SUS, no hospital da Santa Casa de Misericórdia de Ilhéus, conforme denúncia veiculada em nível nacional, no programa Bom Dia Brasil, da Rede Globo, cuja matéria foi produzida pela TV Santa Cruz, através da repórter Karen Póvoas. Segundo a reportagem, o médico ginecologista Paulo Bittencourt é acusado de cobrar taxa de 50 reais para priorizar o atendimento a pacientes gestantes no sistema público de saúde.
Ledívia Espinheira informou que já manteve contato com o provedor da Santa Casa de Ilhéus, Eusínio Lavigne Gesteira, e solicitou rigorosa apuração da denúncia. Ela adiantou que o provedor prometeu submeter o caso à análise da comissão de ética da instituição. A secretária de Saúde também admitiu que promoverá auditoria para avaliar as responsabilidades diante do caso. ”Esse tipo de coisa é inadmissível e a população tem que vir a público, denunciar esses abusos à Secretaria, e utilizar os veículos de comunicação também para falar desses absurdos”, disse
A secretária de Saúde comentou que tem informações de que práticas como essa acontecem há algum tempo no município, e prometeu agir para combater com rigor a falta de ética profissional. Ela disse ainda que vai solicitar ao Conselho Regional de Medicina (Cremeb) que acompanhe também a apuração do caso junto à Santa Casa de Misericórdia e se posicione.
Conforme a reportagem, a denúncia partiu de David Coelho, marido de uma das pacientes que aguardavam pelo atendimento médico do SUS, a gestante Laís Coelho. A cobrança da taxa foi inicialmente confirmada pelo recepcionista do hospital, identificado como José Haroldo. Ele disse que o médico Paulo Bittencourt sempre cobra a taxa de 50 reais para agilizar a consulta. O médico, por sua vez, disse que não cobra a taxa, mas admite que a recebe. “Quando chego, a taxa está aqui", declarou.

Secretaria de Comunicação Social (Secom)

Inscrições abertas para o vestibular de Odontologia da Faculdade de Ilhéus



 Faculdade de Ilhéus - Fachada (Foto Pedro Augusto)
Laboratórios modernos para Odontologia ( Foto Valério de Magalhães)

 Faculdade de Ilhéus - Sala de Anatomia(Foto Pedro Augusto)


Já estão abertas as inscrições, até o dia 18 de abril, para o primeiro vestibular de Odontologia da Faculdade de Ilhéus, o mais novo curso da instituição que completou dez anos de atuação no ensino superior. Recentemente autorizado pelo Ministério da Educação (MEC), este curso de Odontologia é o primeiro de toda a região Sul da Bahia, representando um marco histórico no contexto do ensino universitário. 

As inscrições podem ser feitas na secretaria da Faculdade, de segunda a sexta-feira, das 8 às 21 horas, e aos sábados, das 8 às 12 horas; na sede da Câmara de Dirigentes Lojistas de Ilhéus (CDL), no centro da cidade, de segunda a sexta-feira, das 8 às 12 horas e das 14 às 18 horas, e também aos sábados, das 8 às 12 horas, ou diretamente no site www.faculdadedeilheus.com.br. O valor da taxa de inscrição é de 50 reais, com direito a um exemplar do Manual do Candidato. 

As provas do processo seletivo serão aplicadas no próximo dia 21 de abril, das 8 às 12 horas, na sede própria da Faculdade, localizada na rodovia Ilhéus-Olivença, km 2,5, no bairro São Francisco, zona sul da cidade. As aulas do primeiro semestre letivo terão início no próximo dia 2 de maio. Vale salientar que qualquer candidato interessado pode solicitar visita às instalações da Faculdade, a fim de conhecer os laboratórios do curso, a biblioteca e outros departamentos da instituição, que oferece uma infraestrutura moderna, com equipamentos de ponta.  

Prova – As provas do Vestibular de Odontologia constarão de questões de múltipla escolha, nas áreas de Física, Língua Portuguesa/Literatura, Matemática, Química, Biologia, História e Geografia, além da Língua Estrangeira (inglês ou espanhol) e Redação, com três enunciados para que o candidato faça a escolha do tema. O acesso ao local das provas será feito mediante a apresentação do canhoto da ficha de inscrição e do documento de identidade do candidato.

Ministra e governador divergem sobre modelo de gestão portuária

Alexandra Martins / Câmara dos Deputados
Governador de Pernambuco, Eduardo Campos fala sobre a audiência pública da MP 595/12, a MP dos Portos
Campos: MP retira autonomia dos estados.
 
O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, discordaram, nesta terça-feira (26), quanto ao modelo de gestão proposto pela Medida Provisória 595/12 para portos brasileiros. Eles participaram da última audiência pública promovida pela comissão mista do Congresso que analisa a chamada MP dos Portos – o parecer do relator, senador Eduardo Braga (PMDB-AM), deve ser votado até o próximo dia 10.

Campos informou que o governo de Pernambuco controla atualmente dois portos delegados ao estado pela União: o do Recife e o de Suape. Segundo o governador, a centralização da gestão como está prevista na medida provisória pode atrasar e prejudicar o planejamento regionalizado que hoje é feito pelos estados. “Não vejo inconveniência no fato de o governo federal opinar sobre projetos, por meio da Secretaria Especial de Portos (SEP), como estabelece a MP, mas deve ser mantida a autonomia dos estados que possuem portos para gerir os projetos regionais”, declarou Campos. “No caso de Suape, já fizemos o PDZ [Plano de Desenvolvimento e Zoneamento Portuário], o plano de arrendamento e isso tudo foi aprovado pela Casa Civil e assinado pela presidente Dilma Rousseff”, completou.

O novo marco legal definido para o setor portuário pela MP 595/12 concentra as decisões em Brasília, por meio da SEP e da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Pelo texto, a secretaria, que é vinculada à Presidência da República, fica responsável pelo planejamento de todo o sistema, por meio da recém-criada Comissão Nacional das Autoridades nos Portos (Conaportos). A MP também amplia as competências da Antaq, que fará o processo de chamada pública e a própria licitação de novos terminais.

Eficiência
A ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, defendeu a centralização e disse que a MP não retira a autonomia dos estados. Ela argumentou que o texto adota o mesmo modelo que já vem sendo usado em outros setores, como energia e aeroportos. “A agência reguladora faz as licitações, e o ministério setorial fecha os contratos e faz o acompanhamento”, explicou.
Alexandra Martins / Câmara dos Deputados
Audiência pública com governadores. Ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann
Gleisi: modelo previsto na MP já é adotado nos aeroportos e no setor elétrico.
 
Segundo Gleisi, diversos estudos utilizados como base pelo governo federal, entre eles uma auditoria do Tribunal de Conta da União (TCU), recomendaram a padronização dos processos licitatórios e melhorias na gestão dos portos organizados para aumentar a eficiência e reduzir os custos.

A ministra disse ainda que a MP pretende melhorar o baixo aproveitamento em termos de arrendamentos de novos terminais. “O modelo descentralizado não conseguiu fazer os investimentos necessários para manter a competitividade e atender ao aumento da demanda projetada para o Brasil”, destacou. “Se a descentralização fosse boa, teríamos melhores resultados hoje”, sustentou, acrescentando que apenas 11 novos terminais foram arrendados nos últimos dez anos.

Opinião de parlamentares
O deputado Mendonça Filho (DEM-PE), entretanto, afirmou que o Executivo erra quando usa a lógica da centralização para promover a melhoria da eficiência nos portos. “O governo tem de ter a humildade para reconhecer que o Brasil é um país continental, com realidades muito distintas, e a lógica de uma federação precisa obedecer à lógica da descentralização.” Também contrário à centralização em Brasília, o deputado Glauber Braga (PSB-RJ) sustentou que a concentração de procedimentos vai na contramão do que está sendo feito no resto do mundo.

Por sua vez, a senadora Kátia Abreu (PSD-TO) defendeu a proposta do governo. Ela informou que, desde a edição da MP, a Antaq já recebeu 15 pedidos de autorização para novos terminais de uso privado (Tups). “Esse número já supera as licitações feitas nos últimos 10 anos”, comentou.

Outros estados
No debate, representantes dos governos dos estados do Rio Grande do Sul e da Bahia, que também detêm portos delegados pela União, defenderam a medida provisória e não questionaram uma possível perda de autonomia.

Dep. Glauber Braga (PSB-RJ)
Braga: centralização vai na contramão do que é adotado no resto do mundo.
 
O secretário estadual de Planejamento do governo gaúcho, João Constantino Motta, acredita que o Executivo federal vem sinalizando para a busca de uma solução sobre a autonomia dos estados na gestão de portos delegados. Já o coordenador-executivo de Infraestrutura do governo da Bahia, Eracy Lafuente, foi enfático e não fez ressalvas ao novo marco legal para o setor portuário. “O governo baiano não vê elementos que possam agredir o pacto federativo e provocar perda de autonomia”, afirmou.

Tratamento diferenciado
O governador de Pernambuco, no entanto, insistiu na tese da descentralização e chegou a sugerir a Gleisi que dê tratamento diferenciado para o estado. “Só em Suape, existem 105 empresas operando, com uma previsão de movimentação de 90 milhões de toneladas em 2030”, informou. “Não somos contra os objetivos da MP, mas defendemos a autonomia até por saber dos problemas que a União teve ao gerir companhias docas”, completou.
A sugestão do governador foi descartada pela ministra: “Esta não é uma discussão de Pernambuco ou desse ou daquele estado. É um debate do Brasil, da logística de transportes do País”.

Reportagem - Murilo Souza
Edição - Marcelo Oliveira
Fonte: Agencia da Câmara

Projeto prevê que programas pró-equidade desempatem licitações

Stockphoto/siulesoj - TV Câmara
Direitos Humanos e Minorias - Idoso - Aposentadoria
Empresa com programa de inserção de idosos no mercado teria vantagem nos empates em licitações.
 
O Projeto de Lei 4916/12, do deputado Jean Wyllys (Psol-RJ), estabelece como critério de desempate nos processos licitatórios a existência na empresa concorrente de programas pró-equidade de gênero, identidade de gênero, orientação sexual e etnia, bem como projetos de inserção de idosos no mercado de trabalho. A igualdade de condições, no entanto, não implica na exatidão de valores, conforme o texto. Pode haver variação de até 15% dos valores.
Jean Wyllys argumenta que o zelo pelos direitos de grupos historicamente discriminados torna-se imprescindível para garantir o princípio constitucional da igualdade. “Isso inclui levá-los em conta nas licitações e celebrações de contratos entre empresas privadas e a Administração Pública”, afirma.

Mulheres e LGBT
De acordo com o deputado, em 2009, a Confederação Internacional dos Sindicatos identificou diferença salarial de 26% a favor dos homens em 20 países pesquisados. “Essa porcentagem se torna absurda tendo em vista que o estudo ocorreu em países democráticos que asseguram direitos iguais a todos os indivíduos”, sustenta.

Outro segmento igualmente discriminado, conforme Jean Wyllys, é a comunidade LGBT. “Essa população sofre com a homofobia, que se expressa de diversas formas, que pode levar à evasão escolar e muitas vezes ao suicídio, aos assassinatos cruéis e motivados por ódio”, ressalta.

O parlamentar cita relatório da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, de janeiro a dezembro de 2011, que relata 6.809 violações de direitos da comunidade LGBT. Cinco por cento delas, no local de trabalho. “Alguns estudos identificados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostram que a discriminação como sendo responsável pela diferença salarial de 3% a 30% entre trabalhadores hetero e homossexuais”, acrescenta.

Negros e idosos
Reinaldo Ferrigno
Jean Wyllys
Wyllys: negros e pardos ainda ocupam posição de inferioridade nos ambientes de trabalho.
 
No que se refere a negros e pardos, Jean Wyllys lembra que “ainda ocupam uma posição de inferioridade visível tanto nos espaços habitacionais urbanos quanto nos ambientes de trabalho”. O deputado cita estudo da (OIT) segundo o qual, embora a população preta e parda represente 45,3% da população em idade ativa nas seis regiões metropolitanas, constituía 50,5% dos desempregados em 2008.
O parlamentar destaca ainda que só muito recentemente o País começou a reconhecer os direitos dos idosos, e apenas em 2003 foi aprovado o Estatuto do Idoso. Ele ressalta ainda que, atualmente, a população com 60 anos ou mais já representa 23,5 milhões de pessoas no Brasil.

Tramitação
O projeto foi apensado pelo PL 1292/95, sobre a Lei de licitações, que foi aprovado pelas comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público e Finanças e Tributação. Agora, ambos seguem para a análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta:

Reportagem- Maria Neves
Edição- Mariana Monteiro
Fonte: Agência da Câmara

Senado aprova PEC das Domésticas; veja os direitos que já vão valer

Da Agencia da Câmara

O Senado Federal aprovou hoje em segundo turno, por 66 votos a zero, a chamada PEC das Domésticas. Agora, falta apenas a emenda ser promulgada para se tornar lei, o ocorrerá na próxima terça-feira (2), às 18 horas, no Senado. A proposta estende aos domésticos os mesmos direitos dos outros trabalhadores, como carga de trabalho de 44 horas semanais, sendo no máximo oito horas por dia; o pagamento de hora extra; o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) obrigatório (hoje é facultativo), e multa de 40% para demissão sem justa causa. Vários dos direitos previstos ainda precisarão ser regulamentados para entrar em vigor.
Veja o que vale com a promulgação e o que precisa ser regulamentado
Conheça as principais polêmicas:
Um em cada dez trabalhadores brasileiros é empregado doméstico. São 7,2 milhões de pessoas que trabalham como cozinheiros, governantas, babás, lavadeiras, faxineiros, vigias, motoristas, jardineiros, acompanhantes de idosos e caseiros. Quase 95% são mulheres, que trabalham sem jornada de trabalho regularizada e ganham menos da metade da média dos salários dos trabalhadores em geral.

Demissões
Apesar de ter sido aprovada, a PEC das Domésticas está longe de ser unânime, e organizações de empregadores estimam um aumento no desemprego da classe em até 10%, já que o custo para o empregador manter o doméstico deve aumentar em cerca de 35%. Segundo a presidente da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas, Creuza Maria de Oliveira, com a legislação anterior, 70% das empregadas domésticas e diaristas já não tinham carteira assinada. Na região Norte, esse índice chegava a 90%.


O presidente da ONG Instituto Doméstica Legal, Mario Avelino, defende uma compensação do aumento de custo para os empregadores — uma "desoneração" da folha do patrão, com a redução da alíquota do INSS de 12% para 4%. Sem uma compensação aos empregadores, Avelino alerta para a possibilidade de demissões em massa. "Mais de 800 mil domésticas devem ser mandadas embora em menos de seis meses. Trata-se de um genocídio trabalhista", afirma.

O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) concorda: “Mais da metade das empregadas domésticas será demitida, porque quando o patrão vir que a multa [em caso de demissão] vai ser tão grande, ele vai preferir ficar sem empregada e contratar uma diarista”.

Para o sociólogo Joaze Bernardino, estudioso do trabalho doméstico, sempre que se ampliam os direitos desses trabalhadores há ameaça de demissões — desde que a profissão foi regulamentada, em 1972. “Mas o vaticínio nunca se cumpriu, o nível de emprego das domésticas se manteve. Não dá para o Estado brasileiro, do ponto de vista político e moral, tratar um contingente tão grande de trabalhadores de forma diferenciada dos demais”, critica.

A presidente da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas, Creuza Maria de Oliveira, acrescenta: “Em 1988, quando conquistamos cinco direitos pela Constituição, eram 5 milhões de domésticos no Brasil. Hoje, somos 8 milhões”.

Projetos em tramitação que desoneram o empregador doméstico:
  • PL 6465/09: elimina o pagamento da multa de 40% sobre o saldo do FGTS
  • PL 2738/11: reduz de 20% para 10% a alíquota da contribuição previdenciária a ser paga por patrões (5%) e trabalhadores domésticos (5%)
  • PLs 7082/10 e 6030/09: reduzem de 20% para 12% a alíquota da contribuição previdenciária a ser paga por patrões (6%) e trabalhadores domésticos (6%)
  • PL 6707/09: anistia o empregador das dívidas junto ao INSS referentes a seu empregado doméstico
  • PL 2388/11: simplifica o pagamento do FGTS pelo empregador ao seu empregado doméstico.
  • PL 7279/10: regulamenta a profissão de diarista como aquela que trabalha até duas vezes por semana