quinta-feira, 2 de junho de 2016

A importância de acabar com desemprego para sair da crise

Por Rodrigo Teixeira

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, se reuniu dia 31/05 com 500 empresários. Do evento saíram duas frases importantíssimas, que acalentam o coração de quem se preocupa com o futuro de nossa economia. A primeira foi assumir o estado em que o país está. Nas palavras de Henrique Meirelles, o Brasil já chegou ou está bem próximo do real fundo do poço. Isso é bom. Primeiro porque mostra que a equipe econômica não vive no mundo da lua e o segundo, e mais importante, é saber que o pior já passou. A segunda afirmação foi que o governo trabalhará duro para criar empregos para os 11 milhões de desempregos da nação. Vamos comentar em cima disso.
Segundo o ministro, a retomada do emprego é essencial para que o Brasil saia da crise. Parece óbvio, e é, mas também é verdadeiro. Vamos aqui explicar essa fala do ministro.
O desemprego é ruim por dois motivos:
  1. Ele tira dinheiro da economia de forma direta. Isso acontece pois a ausência de dinheiro acarreta na falta de recursos no lar. Com isso, o cidadão não vai às compras e isso paralisa o setor de serviços, o que tem efeito cascata nos outros setores da economia.
  2. Ele gera um efeito psicológico depressivo na sociedade.
Vamos expandir o número dois, já que ele é mais complexo e não tão óbvio.
Pense em uma família. Aquela é uma casa de sorte, já que os dois provedores(as) estão empregados. Ali, não houve mudança na renda. Por outro lado, a irmã de uma dessas duas pessoas é mandada embora. Além disso, houve aumento no condomínio devido ao crescimento da taxa de inadimplência, pois houve um crescente aumento no número de desempregados no prédio. Isso passa para esse casal, ainda empregado, a sensação de que eles são sortudos e que é apenas uma questão de tempo até que a demissão bata naquela porta. O medo do desemprego propaga como uma epidemia. Há aqueles que estão doentes, e outros que morrem de pavor de contrair o vírus.
Devido a esse medo constante da desocupação, essa família, mesmo empregada, reduz despesas. O pacote completo da TV a cabo é substituído pelo básico. Os jantares em restaurantes aos finais de semana são substituídos por uma pizza delivery. A troca do carro da família é adiada por mais um ano, e a viagem de fim de ano para a Bahia é cancelada por algo mais próximo. Esses cortes de orçamento são feitos por instinto, e o dinheiro que sobra é guardado. Isso é, se sobrar algum dinheiro. Essa grana que deixa de circular faz falta. Quando Maria, José, Alberto, Sabrina e milhões de outros brasileiros fazem a mesma coisa, a grana em circulação, que já estava baixa devido ao desemprego, fica ainda menor. Consequência? Comércios demitem, industrias também, e a recessão só faz acirrar. Com o passar dos meses, já que a situação não melhora, um dos dois sortudos daquela casa é demitido.
Que fique claro, o Econoleigo não acredita e não defende que a economia doméstica dos empregados seja a causa da crise, e muito menos que o empregado deveria gastar em solidariedade ao desempregado. Está mais do que certo aquele que defende o seu. A responsabilidade do cidadão é com sua própria família e a saúde financeira do seu lar. A provedora não tem culpa que um governo falhou na condução da economia.
Voltemos.
O governo anunciou na semana passada (explicado aqui em post excelente no Blog do Saul Sabbá) uma série de ajustes econômicos. Além de reduzir o tamanho da máquina pública, Henrique Meirelles também deixou claro algumas posturas do governo federal que mudariam dali para frente. O mercado reagiu bem com essa medida. As agências de investimento e os bancos já reviram algumas previsões, que de pessimistas tornaram-se levemente otimistas. Há aqueles que acreditam em um crescimento módico ainda este ano. Uma grande evolução se levarmos em consideração que o Brasil encolheu 4% em 2015.
Sabe a postura do casal empregado descrita acima? Ela se aplica aos “ricos”, os empresários e investidores. Ao verem que o governo perdeu a mão e que a economia está indo para o brejo, quem ainda tem dinheiro deixa ele no bolso. Isso faz com que novos empregos não sejam gerados e que dinheiro não entre em circulação, o que movimenta toda a economia, conforme descrito há pouco. Quando o empresariado percebe que o governo tem um plano sólido para o país, o escorpião sai do bolso. Quem tem grana é gato escaldado e muito experiente. O rico não colocará todo o dinheiro de uma vez no mercado. Ele fará um pequeno investimento, algo como colocar o pé na água para conferir a temperatura. Quando você amplia isso em escala nacional, voltam a aparecer anúncios de emprego e de expansão de negócios. O telefone do comercial das empresas volta a tocar.
Ao afirmar que o governo atuará na geração de novos empregos, Henrique Meirelles está querendo dizer tudo isso. Se ao invés de ouvir que duas ou três pessoas no prédio ou na rua foram demitidas, o cidadão comum ouvir que um fulano qualquer conseguiu emprego, há aquela sensação de final de epidemia. Opa, ninguém ficou doente e que, além disso, a febre do desenganado baixou. Ciente que o pior passou e que as coisas estão melhorando, o cidadão volta a comer fora, antecipa a troca do carro e, ao invés de passar o feriadão em frente à TV, decide ir viajar. Isso coloca a economia novamente nos eixos, e faz com que o empresário invista mais e mais cedo.

Resumindo: Às vezes o óbvio é o correto, e o fato do governo saber que tem que atacar o desemprego é um excelente sinal, e é assim que você deve se sentir ao saber que ao que parece, o pessoal lá no andar de cima começou a pensar.
Postado por http://econoleigo.com/importancia-de-acabar-com-desemprego/

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